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O Ocidente está se rendendo ao Islã


Os recentes protestos no mundo islâmico e os discursos de conciliação do presidente dos EUA, Barack Obama, nos quais defende a honestidade e o pacifismo da maior parte do mundo islâmico – a exemplo dos sunitas, que representam hoje algo em torno de 90% dos mais de 1,5 bilhão de seguidores, e que são considerados “moderados” – demonstra que o islamismo está cumprindo seu objetivo, que é o domínio do Ocidente. É uma guerra de ideias, de palavras, mais do que de armas. 

O islamismo cresce de maneira silenciosa em toda a Europa, EUA e também no Brasil. Enquanto radicais islâmicos, ligados a segunda maior divisão do islamismo, conhecidos como xiitas, disseminam “terror” pelo mundo, outro grupo de muçulmanos avança com mesquitas gigantescas por todos os EUA, chegando às proximidades do Ground Zero (Marco Zero, em português) – local onde, em setembro de 2001, se deu o maior ataque “terrorista” conduzido por militantes da Al-Qaeda.

Não apenas nos EUA, mas em todo o continente americano o islamismo cresce de maneira significativa. Na Argentina, onde há entre 300 e 400 mil muçulmanos, funciona o maior centro islâmico da América Latina, o Centro Cultural Islâmico Rei Fahd – nome atribuído em homenagem ao Rei Fahd, governante da Arábia Saudita entre 1982 e 2005 e que se notabilizou pelos investimentos em reformas e construção de mais de 200 centros islâmicos e 1.500 mesquitas em todo o mundo. No Brasil, o número de muçulmanos já está na casa dos um milhão de seguidores, tendo o Estado de São Paulo como sua principal base de atuação, além de células (terroristas?) que supostamente atuam a partir de Foz do Iguaçu.

Uma religião pacífica?

A grande questão em torno do islamismo – e que tem sido foco de acirrados debates em igrejas e universidades pelo mundo – é se a religião fundada por Maomé pode ser considerada pacifica? Há quem acredite que sim, apesar dos constantes atentados promovidos por radicais islâmicos no Ocidente e também em países de maioria islâmica. Por questões estratégicas, o governo dos EUA tem investido na ideia de que o islamismo é uma religião pacífica, numa tentativa de isolamento de grupos radicais, como a Al-Qaeda, o Hesbollah e a Irmandade Muçulmana.

Apesar da tentativa da Casa Branca, o islamismo tem como base a guerra, a difusão da crença em Allah por meio da força, da imposição. O Alcorão possui diversas referências ao combate aos “infieis”, aos “inimigos” de Allah. Por outro lado, os primeiros anos de existência e expansão do islamismo ocorreram a partir de soldados islâmicos, organizados militarmente. O surgimento de grupos radicais é um fenômeno recente, em parte por culpa das potências ocidentais, como Grã-Bretanha e França, que, entre os séculos XIX e XX, subjugaram e exterminaram centenas de muçulmanos.

Subjugados, lideres islâmicos formaram grupos de oposição aos imperialistas, tornando populares os chamados homens-bomba – houve manifestações terroristas entre os séculos 14 e 16, mas é com a presença de tropas ocidentais em territórios islâmicos que os ataques são intensificados. Em algumas ocasiões, como no caso da expulsão das forças soviéticas do Afeganistão, na década de 80, a Casa Branca financiou e armou um grupo liderado por Bin Laden, que, mais tarde, viria a ser um dos maiores inimigos dos EUA e responsável pelo primeiro grande atentado terrorista em solo americano.

A relação entre a Al-Qaeda e os EUA exemplifica todo um processo histórico de intervenções no mundo árabe, financiamento de grupos rivais, e, ao mesmo tempo, fomentação de divisão dentre os muçulmanos. A estratégia, seguida de perto pela Grã-Bretanha, tem como resultado o crescimento do poderio de fogo dos radicais islâmicos e as consequentes tragédias decorrentes das intervenções. Ao mesmo tempo em que combate "radicais" no Afeganistão – acusados de crimes contra a humanidade -, os EUA mantém relações com ditaduras do Oriente Médio.

Como resultado das políticas dos EUA e seus aliados para o mundo islâmico, um fator aparentemente não previsível vem ocorrendo nos últimos anos: o aumento do poderio e da influência do islamismo em países ocidentais. O islamismo, ao contrário do que alguns analistas americanos poderiam sugerir, conseguiu se reformular e desenvolver uma nova estratégia de crescimento. O radicalismo islâmico, disseminado a partir de países como Irã e Síria, e o número cada vez maior de convertidos ao islamismo estão se tornando potenciais inimigos da Casa Branca, daí a importância – dada pelo governo americano – da disseminação de revoltas, financiamento de facções, desorientação e isolamento dos grupos radicais.




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