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À igreja que esta em sua casa


Cresce no Brasil e no mundo um movimento conhecido como “crentes nominais”. Somente no Brasil existe perto de quatro milhões de evangélicos que dizem não precisar frequentar uma igreja para serem salvos. Olhando os fatos pela ótica da razão e da compreensão bíblica, concluímos que a posição dos crentes nominais pode estar correta. De fato não precisamos pertencer a uma igreja (diga-se denominação religiosa) para sermos salvos. A Igreja é parte do Reino de Deus e não a sua totalidade. Quando desenvolvemos tal compreensão entendemos que frequentar uma igreja evangélica não significa, necessariamente, que somos salvos ou que fazemos parte do Reino de Deus.

A igreja é um local de reunião, um local em que os crentes se reúnem para prestar culto de adoração a Deus. A adoração coletiva é apenas uma das formas pelas quais podemos nos aproximar de Deus. A Igreja (local de reunião) deve ser uma extensão de nossa comunhão diária. Tal significa dizer que a vida cristã transcende as barreiras físicas da Igreja. Jesus disse: “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mt. 18. 20). De acordo com Jesus, a igreja pode ser reconhecida em qualquer lugar em que estiver, como em uma reunião informal em uma empresa, faculdade, comércio, escola etc.

Somos seres comunitários e por isso precisamos viver em comunidade. Daí surge a ideia de ajuntamento, de assembleia de santos. Nenhum cristão deve se privar da adoração coletiva, em um templo ou em qualquer outro local em que um grupo de crentes se reúna. O problema esta na idolatria, no confinamento que algumas denominações submetem seus membros. Para ser direto: existe hoje uma verdadeira “idolatria” por templos. A vida cristã, na maioria das igrejas evangélicas, se resume a um programa infindável de cultos – muitos dos quais rotineiros e carregados de exortações. Uma das queixas dos crentes nominais é a falta de amor nas igrejas evangélicas. O púlpito tem sido usado, segundo eles, como um local de crítica aos que não frequentam diariamente a igreja e não entregam o dízimo.

É fato que a igreja precisa passar por uma reforma, que o programa de culto é cansativo e que não atende ao anseio dos mais necessitados. A igreja, e especialmente os pastores, precisa se mobilizar pela defesa de um culto sadio que permita o retorno dos que saíram para praticar um culto particular ou mesmo os que deixaram a vida cristã por completo. Também devemos ampliar a discussão em torno do conceito de igreja e seu relacionamento com o Reino de Deus.



Comentários

Amei esta explanação. Não consigo conceber um cristão viver fora da comunidade, mas, ao mesmo tempo não consigo aceitar a maneira como as denominações estão conduzindo os ensinos cristãos. A teologia em sua maioria é uma "doutrina da visão interpretativa" dos líderes imposta de cima para baixo. Há muito evento festeiro e quase nenhum evento bíblico. A maioria das EBDS, se constituem em: "o professor fala e os alunos escutam"; quando muito "o aluno pergunta e o professor responde" ou seja, não há debates, não há conversações, e, caso isso possa acontecer, no final sempre prevalecerá a posição do "chefe". Não há ensino ou instruções sobre hermenêutica e exegese. Historia do cristianismo, missão urbana, teologia sistemática somente nos seminários teológicos.
E, o que acho mais interessante é que em muitas igrejas (templos) há um espaço para a venda de livros, bíblias, cds etc e mais alguns itens 'arrecadadores' de dinheiro, mas, dificilmente iremos encontrar algum espaço dedicado à Biblioteca.
Não sei se estou certo ou errado, e de antemão peço desculpas se esse desabafo se constituir em uma ofensa. Meu desejo é ver nossas comunidades fazendo realmente a diferença nos lugares onde estão instaladas. Meu desejo é apenas que nossos templos sejam locais onde as pessoas possam aprender que todos os dissabores, desencontros, dores e injustiças são os frutos naturais da escolha feita pelo primeiro homem no Jardim do Éden; que o desejo exacerbado por conquistas das benesses e bens terrenos são manifestações oriundas dessa escolha; que a violência, os crimes sexuais, as epidemias etc são algumas das inúmeras consequências da escolha; que todas as coisas que nos trazem ansiedades, que nos escravizam chama-se Pecado e que a Obra da Cruz não foi um episódio com a finalidade de ajudar as pessoas a viverem felizes, mas sim o ato do supremo amor de Deus para que esse mal chamado Pecado não tenha mais o poder de escravização das pessoas. Creio que esse é o mínimo que nossas denominações cristãos devem fazer.
Abraços.
Fabio, cristaodebereia.blogspot.com
Johnny Bernardo disse…
Fábio, obrigado por seu comentário e colaboração. Concordo plenamente com sua posição sobre a igreja. Deus continue te abençoando.

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